Governo do Distrito Federal
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26/07/19 às 17h33 - Atualizado em 19/08/19 às 15h34

Projeto de Olho na Saúde, da CGDF, não usou dinheiro público para fazer melhorias no Hospital Regional do Leste

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Todas as revitalizações e reformas nos equipamentos foram feitas com doações de voluntários da comunidade local

 

O controlador-geral do Distrito Federal, Aldemario Araújo Castro, destacou, nessa sexta-feira (26/07), no encerramento do projeto piloto de controle social “De Olho na Saúde”, que não houve nenhum centavo de dinheiro público gasto com essa iniciativa. “Esse projeto piloto deve ser estendido no próximo ano para uma série de hospitais e foi realizado sem gasto do dinheiro público. O gasto eventualmente existente foi da remuneração dos servidores envolvidos, que já seria paga com ou sem projeto. Ele foi realizado graças a uma série de doações e parcerias que foram feitas”, disse.

 

Outra característica importante e que foi um dos motivos do sucesso do projeto, segundo o controlador, foi a parceria entre a Controladoria, a Secretaria de Saúde, o próprio hospital, Administrações Regionais, e os Conselhos de Saúde. “Vou dar apenas um exemplo de como um projeto como esse pode fazer a diferença. Foram encontradas diversas macas novas guardadas há cerca de dois anos e que precisavam de um ajuste mínimo para poder funcionar. Isso foi feito pelo projeto e essas macas já foram incorporadas ao dia a dia do hospital”, informou.

 

Aldemario Castro ainda destacou a capacitação feita pela Controladoria-Geral do DF dos integrantes da auditoria cívica. “A nossa perspectiva é a seguinte: não é a Controladoria que tem que ficar eternamente tutelando a ação do cidadão. Os cidadãos que foram capacitados para fazer esse projeto de auditoria agora tem vida própria e autônoma. Eles têm o conhecimento suficiente para continuar atuando e melhorando o funcionamento da saúde do Distrito Federal”, observou.

 

Ele observou que divulga-se que a saúde no DF é uma espécie de terra arrasada, mas que isso não é verdade, porque não existe nada que seja completamente negativo. “Existem vários problemas e dificuldades que estão sendo enfrentadas com energia. Dados da Ouvidoria-Geral do DF demostram objetivamente que a própria população não tem essa visão. E quem diz isso é o cidadão que fez uma quantidade significativa de elogios às unidades de saúde. Em 2018, tivemos 19 mil reclamações para área de saúde e 3.300 elogios. Neste ano tivemos 15 mil reclamações até agora, mas 3.040 elogios. Isso significa que para cada cinco reclamações na área de saúde existe um elogio correspondente”, informou.

 

Um dos auditores cívicos capacitados, o presidente do Conselho de Saúde do Paranoá, conhecido como João do Violão, participou de todas as fases do projeto. “Pra mim é uma satisfação muito grande participar desse projeto que não se encerra aqui. Pra nós da cidade do Paranoá esse projeto foi de suma importância para melhoria da nossa saúde. A gente tem que agradecer. Eu sempre destaquei que o conselho não é inimigo do governo. Queremos trabalhar em conjunto com o governo e isso era o que estava faltando. Eu que sempre fui um crítico, passei a ver a saúde com outros olhos. Passei a ver também como funciona dentro da saúde e as dificuldades enfrentadas”, disse.

 

Já a presidente do Conselho de Saúde do Itapoã, Ilza de Souza, que também participou do projeto, ressaltou a importância do voluntariado no projeto. “Quero dizer o quanto é importante a gente fazer um trabalho voluntário de coração e foi isso que o projeto trouxe pra nós da comunidade. É importante implantar em todas as secretarias e órgãos esse amor de fazer o bem ao próximo. Nós aprendemos muito, porque o De Olho na Saúde não veio só apontar as falhas e defeitos que saúde tem, mas nos mostrar uma outra visão, de correr atrás de parceiros  para que a gente possa trazer uma saúde melhor para população.”

 

Resultados

O subcontrolador de Transparência e Combate à Corrupção, Paulo Wanderson Martins, apresentou os resultados do projeto realizado em apenas quatro meses e suas etapas: lançamento, capacitação dos auditores cívicos, auditoria cívica, relatório de auditoria, projeto de intervenção e apresentação de resultados. “O sistema de saúde enfrenta problemas e infelizmente esse não é um privilégio do DF, mas ciente dessa dificuldade e de sua missão constitucional a Controladoria-Geral iniciou o projeto piloto De Olho na Saúde”, disse.

 

Ele informou quais foram as áreas em que os auditores cívicos tiveram treinamento. “Os auditores foram capacitados nas áreas de transparência, de correição com procedimentos administrativos e correcionais, de controle interno com noções básicas de auditoria, de Ouvidoria para saber quais instrumentos a sociedade tem à disposição para fazer suas reclamações ou elogios, e uma específica em controle social, para saber qual a missão de cada órgão e que a própria constituição federal espera da sociedade como partícipe do estado”, falou.

 

Para o subcontrolador, o projeto de intervenção, chamado de “Dia D”, foi uma das fases mais bonitas, porque a partir das constatações e do diagnóstico do relatório a comunidade identificou o que ela poderia fazer pela unidade de saúde com os seus próprios meios.

 

“Fizemos esse processo em dois dias: 11 e 23 de julho. Elencamos os materiais que estavam inutilizados pelo hospital e fomos à comunidade para angariar doações e poder colocar esses materiais de volta à utilização da comunidade. Foram cerca de 40 pessoas nos dois dias e nós conseguimos mudar um pouco a realidade. A longarina da recepção da Pediatria, por exemplo, estava com o estofado totalmente estragado. Conseguimos a doação de R$ 1,5 mil para comprar os materiais e juntos reformamos equipamentos muito importantes para o dia a dia do hospital”, relatou.

 

Foram reformadas e colocadas para uso seis cadeiras fixas, quatro cadeiras de acompanhantes, seis macas, duas camas hospitalares (adulto e infantil), quatro suportes de soro, quatro longarinas, uma escada de apoio, 18 cadeiras de banho, e seis cadeiras específicas para pessoas obesas.

 

“Quando chegamos ao hospital não tinha uma cadeira de banho disponível em condição de uso e nós conseguimos 18 cadeiras sem nenhum centavo de dinheiro público. Eu destaco aqui a importância da ajuda do Movimento Habitacional e Cidadania das Pessoas com Deficiência. Outra ação importante foi a revitalização da Pediatria com o grafiteiros voluntários para deixar a área uma pouco mais alegre para as crianças”, comentou.

 

A superintendente do HRL, Raquel Beviláqua, afirmou que projeto De Olho na Saúde trouxe um pouco do olhar da gestão para comunidade e para os próprios servidores. “A sensação de pertencimento foi visível e a gente acompanhava isso de maneira muito prazerosa no dia a dia. Todos enxergavam que o projeto traria algo grandioso pra gente”, opinou.

 

Autoridades

Diversas autoridades do governo do DF estiveram presentes no evento. O vice-presidente da Câmara Legislativa, Rodrigo Delmasso (PRB-DF), destacou que muitos políticos não investem nas ações de controle do estado e que infelizmente existe um sofismo de que o controle só existe para punir. “O controlador-geral, Aldemario Araujo Castro, tem mudado essa visão demostrando que o controle interno serve não só para indicar aonde aconteceu o erro, mas também para prevenir que o erro não aconteça”, comentou.

 

Ele afirmou que como deputado distrital tem destinado parte das suas emendas para a CGDF. “Vamos destinar os recursos para as ações de promoção e controle social, como o De Olho na Saúde, de fortalecimento do controle social na educação, e de fortalecimento institucional, com a atualização do seu parque tecnológico, que na minha visão é muito importante para o trabalho do controle interno quer auxilia os gestores do DF”, disse.

 

Já o vice-governador, Paco Britto, enfatizou que o Brasil vive um momento em que a participação popular em todos os níveis nunca foi tão grande. “As pessoas perderam o medo de se posicionar sobre os assuntos que interferem diretamente na vida de todos nós. Isso tem um lado negativo, porque muitas vezes há exagero, mas não podemos negar o lado positivo que é a consciência de que todos temos responsabilidade nas ações do governo”, observou.

 

Paco Britto acredita que a participação da sociedade em ações coletivas trará ações efetivas. “Os primeiros benefícios conhecemos hoje com os resultados do projeto. Temos que estar presentes, o governo tem que estar nas ruas tendendo a população, não dentro do gabinete.”

Segundo ele, já há voluntários em diversas áreas, como educação, cultura e ações de inclusão social, mas é preciso mais apoio da população, pois há muito a ser feito e o governo de todas as esferas não consegue fazer tudo sozinho.

 

“Além disso, nada substitui a força do trabalho e o comprometimento dos voluntários. A partir desse projeto, a Controladoria-Geral em parceria com a Secretaria de Saúde, Conselhos de Saúde e Administrações Regionais e da própria comunidade vão estimular a participação ativa da população para aprimorar os serviços públicos prestados pelas unidades de saúde do DF. O trabalho voluntário permite que todos nós possamos contribuir para melhoria da sociedade, criar oportunidades para os menos favorecidos ou mesmo confortar pessoas em estado de vulnerabilidade. Deixo aqui as palavras de Santo Agostinho, “Aquele que tem caridade no coração tem sempre alguma coisa para dar”, finalizou.

 

Participaram também da solenidade os secretários de Saúde, Osnei Okumoto; da Mulher, Éricka Filippelli; do Trabalho, João Pedro Ferraz; administradores regionais; gestores da área de saúde; conselheiros de saúde; deputado distrital João Cardoso; a madrinha do Projeto, Ana Paula Hoff, representando a Primeira Dama Mayara Noronha, embaixadora do Projeto; entre outros convidados.